São Paulo pela Lente da Higiene: as propostas de Geraldo Horácio de Paula Souza para a cidade (1925-1945)

Cristina de Campos
266 pags

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Texto - Capa

Maria Alice Rosa Ribeiro (FCL/UNESP-Araraquara)

São Paulo pela Lente da Higiene: as propostas de Geraldo Horácio de Paula Souza para a cidade (1925-1945) é o livro que, sob o pretexto de fazer uma biografia, aborda de forma privilegiada dois momentos importantes por que passou a sociedade paulista: a mudança na concepção de saúde pública, conseqüência da Reforma do Código Sanitário de 1925, e a mudança do urbanismo em São Paulo, quando a cidade, em pleno anos 20, se transforma em metrópole. Cristina soube entrecruzar três temas de forma equilibrada: a formação do médico sanitarista, a reforma da saúde pública e o urbanismo. A biografia do médico sanitarista Geraldo Horácio de Paula Souza, filho do fundador da Escola Politécnica de São Paulo, Antonio Francisco de Paula Souza, mostra-nos a formação da elite econômica, intelectual e política paulista. Geraldo Paula Souza formou-se em Farmácia pela Faculdade de Farmácia de São Paulo e, antes de se formar em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, passou um período na Europa, onde realizou estudos e estágios em laboratórios de química e em institutos médicos de Berlim, Zurique, Genebra e Paris. Participa, após obter o diploma de médico, de uma comissão encarregada de analisar a qualidade da água de abastecimento da cidade de São Paulo. Dos estudos realizados com Roberto Hottinger, professor da Escola Politécnica de São Paulo, surge a proposta inédita de adicionar cloro à água de abastecimento da cidade de São Paulo. Paula Souza e o também médico sanitarista Carlos Chagas tornaram-se os primeiros brasileiros a receber bolsa de estudos da Fundação Rockefeller. A concepção de saúde pública da Rockefeller difundiu-se graças à atuação de Paula Souza no Serviço Sanitário de São Paulo, no Instituto de Higiene e na Sociedade Brasileira de Higiene. No plano internacional, Paula Souza representou o Brasil em diversas conferências sanitárias e tornou-se representante brasileiro na Organização Mundial da Saúde (OMS) entre 1946 e 1951.
O livro traz uma rica coleção de fotografias sobre a cidade de São Paulo, a partir das quais o leitor pode fazer outra leitura da escritura iconográfica do espaço urbano em suas dimensões múltiplas: vida dos imigrantes, crianças dos cortiços, coleta de lixo, circulação de mercadorias, o mercado e feiras livres, os vendedores ambulantes e a higiene dos produtos comercializados.
Cristina oferece aos historiadores da cidade e da saúde pública um estudo sério a partir de pesquisas em fontes documentais primárias. Pesquisou o arquivo do próprio Paula Souza, mantido pela filha Ada Celina Paula Souza de Anhaia Mello, o que faz de sua obra uma referência bibliográfica obrigatória para quem estuda temas relacionados às instituições de saúde pública e ao processo de urbanização de São Paulo. Além disso, Cristina deixa para os futuros historiadores inúmeras pistas para novas pesquisas nos arquivos e nas documentações depositados nas bibliotecas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e da Faculdade de Saúde Pública, sobre a história dos centros de saúde na cidade de São Paulo e sobre a influência e atuação da Fundação Rockefeller na concepção e prática da saúde pública.