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Mestres,
Santos e Pecadores:
Educação, Religião e
Ideologia na Primeira República Brasileira
Marco
Antonio Pratta
242 pags
Conteúdo
De
R$ 25,00
por
22,50

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Prefácio
Maria
Alice Nassif de Mesquita
A
história da educação brasileira ainda
é carente de estudos, são muitas as lacunas.
A construção política, econômica
e social do Brasil, em suas lutas e contradições,
é praticamente desconhecida de grande parte do magistério
e, principalmente, do público leigo. O livro de Marco
Antonio Pratta procura preencher, por intermédio
de estudo rigoroso e disciplinado, apresentado em linguagem
simples, em alguns momentos pincelada de fina ironia, um
pouco dessas lacunas.
A
orientação da trajetória da dissertação
de mestrado de Marco Antonio, origem deste livro, além
de consolidar uma amizade, constituiu-se, para mim, em experiência
enriquecedora. Dividido entre seus afazeres no magistério
e o desenvolvimento da pesquisa, sua disciplina, seriedade
e empenho propiciaram um trabalho importante e pertinente
no campo da história da educação brasileira.
Aliando
sua curiosidade de historiador ao envolvimento com a cidade
onde nasceu e passou grande parte de sua existência,
enfoca a conjugação de esforços e interesses
entre o Estado oligárquico e a Igreja Católica,
mediados pela escola, na construção de um
projeto nacional, durante a Primeira República Brasileira
(1889-1930). A realidade da produção cafeeira
no Brasil, durante a República Velha, é comum
a praticamente todo o centro-sul do País. A articulação
entre um processo que ocorria naquela região e suas
influências e determinações em uma vila,
a vila de Belém do Descalvado, hoje município
de Descalvado, que chegou a ser a terceira maior produtora
cafeeira do Estado de São Paulo, motivou, no dizer
do autor, a presente obra. Marco Antonio traz para o leitor
riqueza de dados, passeando por documentos,
jornais e revistas da época, e entrevistas com pessoas
idosas, sobre o período estudado.
Ao
colocar em análise o projeto nacional da jovem República
brasileira, que desejava manter, consolidar e expandir a
estrutura agrária dominante, ressalta a utilização
da diminuta rede de escolas públicas como vitrine
de uma suposta uni-versalização do ensino
elementar, difundida como garantia de extensão da
cidadania a todos e da inclusão do Brasil no grupo
dos países considerados civilizados.
Nessa direção, ao contrapor o discurso oficial
à realidade existente, contribui para o desvelamento
do mito em torno da qualidade (raramente avaliada
como categoria relacional) da escola pública dos
velhos tempos. Mostra que a escola pública,
em especial a paulista, apesar de assumir algumas inovações
pedagógicas, surgidas nos países centrais
do capitalismo, estruturou-se nos moldes da escola confessional
católica, modelo no Brasil por praticamente quatro
séculos.
Assim,
a demanda atendida nas duas redes de ensino a pública
e a privada era a mesma, com pequenas diferenciações.
Eram contemplados os filhos da elite e das camadas médias
em expansão, enquanto os filhos dos trabalhadores
urbanos semi-assalariados e principalmente dos colonos,
maioria à época, dificilmente conseguiam ingressar
e completar a escolarização elementar.
A rede de escolas públicas reflete as características
e atende aos interesses da sociedade que a produziu
é conservadora e excludente , contudo, como
a realidade é dialética, a função
da escola é também contraditória. Há,
portanto, a contrapartida, passando a escola a contribuir,
mesmo que timidamente, para o ingresso do País, em
especial do Estado de São Paulo, na modernidade,
na medida em que alguns poucos filhos de colonos e operários
a ela tem acesso e nela permanecem.
O
texto apresentado ensejará reflexão sobre
a função da escola pública, tomando
como ponto de partida a sociedade onde se insere, além
de permitir o estudo da posição da educação
escolarizada em um projeto de ajuste da sociedade brasileira
às exigências internacionais, pois, em que
pesem as exceções, historicamente a elite
sócio-econômica e política brasileira
governa para fora; os interesses internos e
a população excluída constituem detalhes
que devem sofrer ajustes e mesmo manipulação
para não atrapalhar as estatísticas apresentadas
como provas de nossa modernização, marcada,
é certo, pelo estigma da relação escravocrata.
A
obra que ora se apresenta ao público é o primeiro
trabalho acadêmico de Marco Antonio Pratta. Certamente
outros virão, contribuindo, desta forma, para recuperação
da história da educação brasileira,
em especial do Estado de São Paulo, considerados
seus percalços, ajustes e contradições.
Ao
leitor, desejamos que esta obra desperte muitas interrogações,
que conduzam à tarefa coletiva e solidária
de reconstrução histórica visando a
uma sociedade igualitária e justa. O conhecimento
da história é imprescindível para que
possamos entender o País em que vivemos e nele atuar,
com clareza política dos alvos a serem atingidos
e de sua viabilidade, no horizonte de tomada de decisões
em bases objetivas e concretas, considerado o contexto internacional.
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